O que aconteceu na penúltima semana de outubro?

Teve muito desconforto, muita descrença, muito debate, muita reflexão, e uma conquista

Zigzag Black

Por Jéssica Ferrara

 

Criamos um cartaz com a frase “Cunha, sai desse corpo que não te pertence”. Quem quiser baixar, imprimir, postar, é só clicar aqui. Dentro do zip. tem uma versão A4, uma A3 e também o arquivo psd. aberto caso queiram mudar o tamanho, fonte, cor, etc.

 

homeassedioComo nos últimos sete dias muita coisa aconteceu, nós resolvemos fazer um feed-resumo com links, vídeos, memes, posts e textos importantes que rolaram durante essa semana.

Tudo começou com a estreia do programa MasterChef Júnior, transmitido pela Band, em que uma das participantes, a Valentina, de 12 anos, foi alvo de homens que não se envergonharam em expor nas redes sociais seus desejos sexuais por uma criança. Tweets violentos, como ‘Se tiver consenso, é pedofilia?’ foram problematizados em um belíssimo texto da jornalista Carol Patrocínio, que levantou um debate de máxima importância: a cultura do estupro. Assunto antigo, mas ignorado. As palavras carregadas de lucidez tiveram muita repercussão, reproduzidas em veículos como a Carta Capital, o Brasil Post e a Revista Fórum.

CarolPatrocinio

O texto gerou comoção, debate e reflexão, a exemplo destes dois textos questionando privilégios e construções sociais:


E charges como estas:


Frente a isso, o Think Olga lançou a campanha #PrimeiroAssedio, encorajando meninas e mulheres de todo o país a contarem suas histórias sobre as violências sexuais que viveram durante a infância. A ação gerou 82 mil tweets, e os relatos revelaram o que já sabíamos, mas fazemos questão de fechar os olhos: “a sexualização começa precocemente. E tão cedo quanto 7 anos, já nos tornamos reféns da cultura do estupro”.



Na mesma semana, o Projeto de Lei 5069/2013 foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. De autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PL 5069/2013 dificulta o atendimento básico no SUS às vítimas de violência sexual, só considerando casos que mostrem “danos físicos e psicológicos”, e removendo, por exemplo, o direito a pílula do dia seguinte como medida para evitar a fecundação. Em resumo, ele representa um retrocesso, uma verdadeira negociação do corpo da mulher, enquanto estupradores saem impunes. 

O Think Olga fez um infográfico muito didático com “10 entre 5069 razões pelas quais a aprovação do PL 5069/2013 é uma péssima ideia”.

O Projeto de Lei 5069/2013 vai direto pro Senado por ter sido aprovado por uma comissão permanente da casa. Mas ainda temos como reverter essa situação:

  1. Você pode assinar a petição online contra o projeto, que já conta com quase 90 mil assinaturas– e contando.
  2. Nos próximos dias, de 28 de outubro a 4 de novembro, acontecerão atos contra o PL por todo o Brasil. Veja o evento.
  3. Você também pode participar de mobilizações online, como a campanha #ForaCunha, tirando fotos com os dizeres: ‘Fica pílula, sai Cunha’.
  4. E colocar a mensagem “Luto pela vida das mulheres: #nãoaopl5069” nos avatares das suas redes sociais, basta clicar aqui. A campanha já conta com mais de 100 mil adesões.

A página ‘Quebrando o Tabu’, compartilhou um texto hipotético sobre o assunto, mas que com certeza é a realidade de muitas adolescentes:

Mas, chegou o final de semana do Enem e, tomando a liberdade de parafrasear Djamila Ribeiro, mesmo sabendo que o país está longe de ser menos desigual, há dias em que vencemos. Na prova, havia questões que traziam desde Simone de Beauvoir e o movimento feminista, até o poema de resistência do angolano Agostinho Neto.


Ao mesmo tempo, vieram algumas críticas sobre as questões que traziam citações de autores como Simone de Beauvoir, Hobbes, Nietzsche, Weber e Paulo Freire. A problematização foi sobre a qualidade de ensino nas escolas brasileiras. Outro debate válido, mas que não deve excluir a importância da presença de nomes como esses no Enem.

Para lavar a alma, o tema de redação do Enem 2015  foi: “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”.

E, claro, não podíamos deixar de lado estes memes maravilhosos:

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Para fechar a semana com chave de ouro, a diva Jout Jout discorre, em menos de 10 minutos, sobre a gravidade do assunto: assédio sexual. Para mim, o vídeo foi um convite para uma verdadeira intifada feminista.

Gente, até o Google curtiu:

E sabe o que eu aprendi diante deste turbilhão de reflexões e acontecimentos importantes? Não vou me calar. Nem diante de um “psiu” sequer.

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Jéssica Ferrara
Jornalista com inclinações misteriosas por design e programação. Não sabe do que gosta mais: assistir a filmes antigos ou comprar livros novos e prometer a si mesma que lerá cada um deles até o final do mês. Apaixonada por debates que envolvam gênero e tudo que diz respeito à mulher e à sociedade.


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